Porque a Terra é redonda – é uma afirmação

Estudos & Trabalhos/ outubro 3, 2018

 

Com todo respeito às divergências, s.m.j., a polêmica teoria da Terra plana não passa de infundados apelos que tentam convencer-nos de que Terra redonda (esférica) é uma enganação que nossos professores primários nos fizeram acreditar; que somos vítimas de uma conspiração para esconder a verdade, consistente no fato de que vivemos dentro de um gigantesco domo, cuja base é a Terra plana. Teoria com a qual não podemos concordar.

Ressaltamos que, apesar de nosso comprometimento na busca de informações de procedência confiável, este post não tem a pretensão de fundamentar nenhum trabalho científico.

Seguindo, entretanto, o próprio propósito deste blog, propomos reflexão e discernimento sobre essa que nos parece ser mais uma estranha e polêmica teoria pseudocientífica. Ou estamos enganados?

 

Terra plana, deformada, ou somente a nossa boa e velha Terra redonda?

 

Heliocentrismo - o maravilhoso Sistema SolarImagem: Image Editor, outubro 2007

 

Apesar de todos os avanços tecnológicos desde os pretéritos tempos de Nicolau Copérnico (1473-1543), seguido por Galileu Galilei (1564-1642), ainda há quem não se convença de que a Terra é redonda e que gira em torno do Sol (Heliocentrismo). Razão pela qual não nos espanta a dificuldade de compreensão dessa geração em outras questões mais complexas.

 

Geocentrismo e Heliocentrismo – Não se falava em Terra plana

 

O Geocentrismo foi a teoria destacada pelos estudos do astrônomo grego Cláudio Ptolomeu, no século II d.C., baseados em Aristóteles, Aristarco, Eudoxo, Hiparco, entre outros astrônomos, matemáticos e filósofos que o antecederam. Consistiu na afirmação básica de que a Terra é o centro do Universo. Entendimento que perdurou até a Idade Média, quando foi mais fortemente defendido pela Igreja Católica.

O Heliocentrismo foi a teoria desenvolvida na Idade Média pelo astrônomo, matemático, médico e religioso polonês Nicolau Copérnico, e defendida pelo físico, matemático, astrônomo e filósofo italiano Galileu Galilei. Consiste na afirmação básica de que a Terra gira ao redor do Sol, contrariando a antiga teoria do Geocentrismo.

Confira-se em TodaMatéria, pela Professora de Matemática e Física Rosimar Golveia, “Geocentrismo“, um objetivo resumo da história desses conceitos.

Saiba mais em Netnature, “Heliocentrismo – As Raízes do Sistema Copernicano” – excelente e detalhado estudo sobre esse tema, com belíssimas ilustrações.

Apesar dessas questões terem sido esclarecidas ainda na Idade Média, ao navegarmos pela Internet encontramos muito conteúdo atual dedicado, por exemplo, à teoria da Terra plana.

 

Será que vivemos em um gigantesco domo, observados como cobaias por extraterrestres? 

 

A reflexão para o discernimento dessa questão já começa pela ausência de motivo para a suposta conspiração para a humanidade acreditar que a Terra é redonda.

Emojipensativo animado.

Afinal, quem ganharia com tal enganação e qual seria o seu propósito, são questões que os teóricos da Terra plana e da conspiração da Terra redonda não esclarecem nem nos convencem.

Salvo melhor juízo, essa conspiração só faria sentido se, de fato, vivêssemos como cobaias em um gigantesco domo, cuja base seria a Terra plana, sendo observados de fora por extraterrestres.

Portanto, não nos parece tratar-se de enganação que nossos professores primários nos teriam feito através dos “livros errados de geografia do colegial”.

 

Navegando por uma Terra plana ou deformada – o cuidado é para não deformar o raciocínio

 

Não bastasse essa dita teoria da Terra plana, agora desenvolveram outra: a de que a Terra é deformada.

Sim, verificamos que, para muitos, a Terra não é nem redonda, nem plana, mas radicalmente deformada.

 

Navegando por uma Terra plana.Foto: pxhere, janeiro 2019

 

Ocorre que se você utilizar corretamente uma carta de navegação, considerando rumo verdadeiro, diferença entre Norte Magnético e Norte Geográfico, meridianos e paralelos, etc., certamente conseguirá traçar uma rota e chegar de um ponto a outro com precisão, autonomia de combustível e tudo o que for necessário para a segurança da sua viagem.

 

A Terra só parece ser plana no mapa. Foto: Discernir, maio de 2019

 

Haverá também diferença se você optar, por exemplo, entre seguir pelo Oeste ou pelo Leste. Isso porque poderá chegar ao mesmo ponto, porém percorrendo distância maior ou menor de onde estiver partindo, dependendo do rumo que escolher seguir.

Falamos em termos de volta ao mundo, evidentemente.

 

A Terra gira no sentido anti-horário: de Oeste para Leste

 

Falando nisso, se você pretender fazer uma volta ao mundo, vai rapidamente se dar conta de que partindo, por exemplo, pelo Leste e seguindo sempre o mesmo rumo, acabará chegando no ponto de onde partiu.

Contudo, as pessoas o veram chegando pelo lado oeste daquele seu mesmo ponto de partida. O que prova, no mínimo, que você andou em círculo.

Considerando-se, além disso, o fato de que o Meridiano de Greenwich é a linha meridional convencionada que serve de referência para cálculos de distância de longitude sobre o globo terrestre, também haverá diferença na previsão da data e horário de chegada.

Confira-se, por oportuno, em Mundo Educação, por Rodolfo F. Alves Pena, “Meridiano de Greenwich“. O que é, para que serve, como surgiu; e sua importância na definição dos fusos horários, são questões muito bem explicadas nesse post,

Na sua viagem, a data e o horário de chegada serão relativos ao marco convencional do Meridiano de Greenwich, justamente em decorrência do movimento de rotação da Terra.

Isso ocorre exatamente porque esse sistema pressupõe a navegação sobre um globo que gira em seu próprio eixo.

Por aqui, já teríamos suficiente prova de que o percurso da sua viagem seria feito verdadeiramente sobre um globo. Não sobre um plano.

A não ser que você caia da “borda da Terra” ou dê de cara com a “parede do domo”, ao tentar realizar a viagem com base nessa carta de navegação.

Portanto, se essas teorias de Terra plana e de Terra deformada tivessem alguma razoabilidade, esses cálculos de navegação, baseados num sistema global, jamais dariam certo. Senão vejamos:

 

A menor distância entre dois pontos sobre um globo é uma curva

 

Na escola aprendemos que a menor distância entre dois pontos é uma reta. Talvez pudesse consistir nisso a alegada “teoria da enganação dos livros escolares“.

Isso porque aquela dita teoria escolar restringe-se à distância entre dois pontos sobre um plano, porquanto sobre um globo, a menor distância entre dois pontos é uma curva.

Logo, se a Terra fosse plana, ou radicalmente deformada, os cálculos de navegação para longas distâncias – que levam em consideração a linha curva como a menor distância entre dois pontos sobre o globo terrestre – jamais seriam compatíveis com aqueles formatos.

 

Pilotos comandam avião por instrumentos.Foto: pxhere, junho 2017

 

Na prática, um piloto de aeronave traçaria um plano de voo do Brasil para o outro lado do oceano e jamais daria certo. Jamais chegaria ao destino pretendido.

 

Os instrumentos de navegação não reconhecem uma Terra plana

 

Ora, não temos como aplicar a mesma metodologia e as mesmas fórmulas de cálculos utilizadas em uma carta náutica – que pressupõe a Terra como um globo – em outro sistema que a considere como sendo plana.

Além disso, os próprios instrumentos de navegação das aeronaves se aplicam a um sistema global e não plano.

Citamos como exemplo o que ocorre com a bússola magnética em altas latitudes.

A própria simplicidade do seu  funcionamento e eficiência desse fascinante instrumento de orientação que revolucionou a navegação marítima, modernamente utilizado na navegação aérea, só podem ser explicadas por meio da compreensão dos elementos da natureza dos quais ele depende.

 

 

A propósito, nossos posts relacionados:

Bússola Magnética – o que é e como funciona” – Saiba mais sobre esse fascinante instrumento cujo funcionamento depende dos elementos da natureza.

Entendendo a diferença entre os polos magnéticos e geográficos da Terra” – De forma clara, objetiva e ilustrada, explicamos a diferença entre os polos magnéticos e geográficos da Terra e sua relação com o funcionamento da bússola.

Componente Horizontal e Componente Vertical da Bússola” – Explicamos como as componentes das forças da natureza agem no instrumento conforme a sua posição no globo terrestre.

 

 

Se é verdade que “o formato da Terra que nos ensinaram na escola é falso“, vale lembrar que os pilotos de voos comerciais que cruzam continentes e oceanos, por exemplo, tiveram muito estudo após o básico que aprenderam na escola primária.

Certamente, se o que aprenderam na escola contrariasse o que normalmente costumam pôr em prática, já teriam tido a necessidade de questionar seus mestres acerca dos seus errados ensinamentos.

 

Considerações finais

 

Finalmente, e a propósito, considerando-se a superfície esférica da Terra, a única forma de se manter, sem distorções, as posições relativas de todos os seus pontos e suas distâncias, representadas em uma escala idêntica, seria através de um globo. O que é praticamente inviável.

O Sistema de Projeções Cartográficas, entretanto, foi criado justamente para possibilitar a representação da esfera terrestre em uma superfície plana, dando origem às chamdas cartas de navegação.

Além disso, a demarcação convencional da Terra em paralelos e meridianos, que constituem o seu Sistema de Coordenadas Geográficas, tornou possível a localização de quaisquer pontos considerados como de partida e de destino sobre o globo terrestre.

Por meio das latitudes e longitudes desse sistema, é possível traçar-se uma linha de rota para unir esses dois pontos considerados, com a segurança e eficiência necessárias.

Referimo-nos à Ortodromia e à Loxodromia – dois métodos existentes para se traçar linhas de rota. Sendo, o primeiro, o mais adequado para o argumento do presente trabalho, porquanto aplicado a longas distâncias, em escala global, possibilita a conclusão de que a menor distância entre dois pontos é uma linha curva.

Já o segundo pode ser mais adequado para viagens de curta distância, nas quais a diferença vantajosa do primeiro método se tornaria impercepcível.

Como dissemos, não temos neste post a pretenção de fundamentar trabalho científico. Apenas propomos reflexão e discernimento sobre esse tema um tanto polêmico. Por isso não faria sentido nos aprofundarmos aqui em estudos técnicos de navegação aérea, conteúdo que reservamos para oportunas postagens.

Contudo, para os que não se convenceram do formato esférico da Terra, sugerimos estudos mais aprofundados sobre esses sistemas de projeções – aplicados na criação das cartas de navegação – e também dos métodos por meio dos quais são traçadas as linhas de rota.

 

Conclusão

 

A reflexão e discernimento acerca da razoabilidade da teoria da conspiração da Terra redonda pelos teóricos da Terra plana, fora ficção, já começa pela própria falta de motivos e de definição de agentes responsáveis pela suposta enganação acerca do real formato do planeta em que vivemos.

Digna de filmes de ficção, a inusitada teoria esbarra na própria prática da navegação aérea, cujos métodos e instrumentos utilizados, apesar de terem por base o globo terrestre e não um plano, levam as pessoas do ponto A ao B do outro lado do mundo, com perfeita precisão de localização.

Qualquer piloto sabe que a Terra tem a forma esférica (embora não perfeita – achatada nas extremidades do seu eixo rotacional). Sendo por isso que conseguem chegar aos destinos aplicando os conhecimentos que receberam desde a escola, os quais consideram a Terra esférica.

Por tais razões, para que a teoria da conspiração da Terra redonda, criada pelos teóricos da Terra Plana, passasse perto da razoabilidade, seria necessário crermos que professores, astrônomos, pilotos, etc., estariam em combinação com cientistas americanos, russos e chineses para enganar a humanidade.

Portanto, a não ser que sejam todos extraterrestres querendo enganar a humanidade que vive cativa em um domo gigante sendo observada por eles como cobaias, não há nenhuma razão aparente para justificar essa teoria da conspiração da Terra redonda.

Embora inacreditável, a verdade é que, nos dias atuais, apesar de todos os avanços tecnológicos, parte da humanidade parece insistir em continuar vivendo na Idade Média.

Esperamos ter conseguido provocar reflexão e discernimento sobre mais uma estranha e polêmica teoria pseudocientífica.

Deixe seu comentário ou crítica construtiva, para nos servir de estímulo para novas postagens. Compartilhe em suas redes sociais para saber a opinião dos seus amigos.

 

 )Discernir agradece a atenção e o respeito à livre expressão das ideias e aos direitos autorais.

 

E encerramos com o seguinte pensamento filosófico de J. Barros (2014), criador deste blog, para sua reflexão e discernimento:

Foto perfil Autor blog Discernir.

 

 

No Universo da dualidade em que vivemos, a todo o direito corresponde um dever. O que corresponde ao direito à livre expressão é o dever do bom senso.

 

Licença Creative Commons
Terra plana | Terra deformada | Terra redonda é uma afirmação – Discernir de Estudos & Trabalhos está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional – Abrir link em nova aba.
Baseado no trabalho disponível em Fonte de Referência – Abrir link nesta aba.
Podem estar disponíveis autorizações adicionais às concedidas no âmbito desta licença em Contato com Autor – Abrir link nesta aba.